Ente enquanto nome em
Suárez
Ontologia II
Márcia Augusto
Licenciatura em Filosofia 3º ano
O Ente real
“o objeto adequado desta ciência deve compreender Deus e as outras substâncias imateriais (…), os acidentes reais, mas não os entes nocionais e os totalmente por acidente”
(Suárez, 2022: 111) DM I, Secção I, 26.
02
Secção I e II, DM II
C. Formal de Ente
C. Objetivo de Ente
É “o próprio ato (…) pelo qual o intelecto concebe alguma coisa”, sendo “chamado de conceito porque é como que a prole da mente, de formal porque é a última forma da mente, ou porque representa formalmente à mente a coisa conhecida ou porque é, na verdade, o termo intrínseco e formal da conceção mental”.
(Suárez, 2022: 307) DM II, Secção I,I.
Unidade formal - pela concordância e semelhança face a uma propiredade comum, aptidão para existir. Universal por indistinção de vários. (DM II, Secção II, 14)
é “aquela coisa conhecida ou representada (…) pelo conceito formal”. Mais ainda, “o humano conhecido e representado por este ato é chamado de conceito objetivo (…); conceito por denominação extrínseca a partir do conceito formal, pelo qual o objeto é (…) concebido”.
(Suárez, 2022: 307) DM II, Secção I,I.
Secção IV, DM II
O ente enquanto
Partícipio
“como particípio do verbo ser e, como tal, significa o ato de ser como exercido e é o mesmo que existente em ato”
” (Suárez, 2022: 395) DM II, Secção IV, 3.
Nome
“a essência da coisa que tem ou pode ter ser e pode dizer-se que significa o próprio ser, não como exercido em ato, mas em potência ou aptidão”
(Suárez, 2022: 395) DM II, Secção IV, 3.
Essência Real
Nome
“A essência é de acordo com o que a coisa é dita ou denominada ente” (Ibidem: 399) .No caso de ente enquanto nome, “a sua noção consiste nisto, que seja o que tem essência real”, quer dizer “não fictícia nem quimérica, mas verdadeira e apta a existir realmente”
(Ibidem: 397) DM II, Secção IV, 4.
Essência Real
“em ordem aos efeitos ou afeções da coisa, ou em ordem ao nosso modo de conceber e de falar”
do “primeiro, radical e íntimo princípio de todas as ações e propriedades”.
“que por primeiro se constitui intrinsecamente no ser da coisa”
Ibidem. DM II, Secção IV, 6
Ibidem. DM II, Secção IV, 6
de quididade (…), o que é a coisa (…), o que há primeiro em cada coisa”.
Ibidem. DM II, Secção IV, 6
Ibidem. DM II, Secção IV, 6
Vias de definição de
Essência Real
Negativa
Afirmativa
A posteriori
A priori
03
Definição de Essência Real
Negativa
“não envolve em si nenhuma incompatibilidade”
∧
“Não é meramente produzida pelo intelecto”
(Ibidem: 399) DM II, Secção IV, 7
(Ibidem: 399) DM II, Secção IV, 7
Definição de Essência Real
Afirmativa
A posteriori
“princípio ou raiz de operações ou efeitos reais
quer esteja no género da causa eficiente [motora], formal [essência, det.] ou material [carne e osso]”
“não há nenhuma essência real que não possa ter algum efeito ou propriedade real”
(Ibidem: 399) DM II, Secção IV, 7
Definição de Essência Real
Afirmativa
A Priori
a essência real “pode ser exposta a priori por uma causa extrínseca”
– descrição apenas válida para as criaturas – na medida em que
“pode ser realmente produzida por Deus e ser constituída no ser de um ente atual”
(Ibidem: 399) DM II, Secção IV, 7
Essência Real
de si, é apta a ser ou a existir realmente”
Ibidem (401). DM II, Secção IV, 7
A esta noção devemos ligar, desde logo, a de ente enquanto nome – não porque ente enquanto particípio não seja apto a existir, se não o fosse, não existiria, mas porque Suárez está interessado em nos dar a noção mais abrangente possível – sem excesso nem defeito.
Ibidem. DM II, Secção IV, 7
No caso de ente tomado participialmente, que corresponde ao ente em ato, como já foi dito, Suárez está ciente de que teríamos de deixar de lado entes que podem vir a ser, mas ainda não são, ficando uma noção de ente restrita a Deus, que é sempre em ato, e às criaturas que já existem em ato.
Ibidem. DM II, Secção IV, 7
Aptidão
para existir
não a excluindo ou negando, mas apenas [a] abstraindo
ente tomado com força de nome não significa ente em potência, na medida em que privativa ou negativamente opõe-se a ato”
«“ente” tomado com força de nome significa o que tem essência real, prescindindo da existência atual
ente tomado nominalmente “não acrescenta negação (…), a de carecer existência atual” que “o ente em potência acrescenta”
(Ibidem: 405 DM II, Secção IV, 9 , 11.
Relações (à margem)
Nota: ente enquanto nome - homem, quer exista. quer não, continua a significar homem. Relação com Sr. N de Wittgenstein. Mesmo que Sr- N morra, continua a significar o Sr. N. no jogo de linguagem (preserva-se o uso num JL, preserva-se a aptidão para existir em S.)
Vs.
Russell: “isto”, “aquilo” - sense data (não é a resposta que procuramos, pois Russell inclui memórias, introspeções, dentro da mente - não para a relação de ente real, mas para a noção de nome- Apenas podemos nomear aquilo com que estamos em contacto.
Contudo, é interessante a relação com as quantificações das descrições definidas))
Ora, Wittgenstein em “Investigações Filosóficas (2021, 205), no parágrafo 40, dá-nos um exemplo parecido, embora, mais uma vez, no seu “jogo de linguagem”, em que designamos alguém por N., mas a pessoa portadora do nome N. morre (deixou de ser ente em ato, diríamos), mas continuamos a compreender o que é N. quando falamos dele. E falamos dele enquanto ente, diríamos, mesmo que não exista, enquanto algo que foi apto a existir e deixou de ser existente. Mais uma vez, deixaremos este tema para futuras investigações, não só por extensão, mas, e sobretudo, por rigor.
Ibidem. DM II, Secção IV, 6
Relações (à margem)
(«Os nomes que usamos vulgarmente, como “Sócrates”, são realmente abreviaturas de descrições; (…) pois o que elas descrevem não são particulares, mas complicados sistemas de classes (entre as quais a classe vazia)» (Russell, 2010: 29)). Ora, será que o ente enquanto nome, na medida em que é “apenas” tomado como apto para existir, prescindindo de ser um “isto” aqui e agora, ou um “isto” que foi com o qual tivemos contacto, corresponderia enquanto nome a uma descrição definida para Russell? Suárez, pensamos, não aceitaria esta resposta, pois acredita, cremos, que há mesmo um ente real na nossa maneira de pensar, que se repercute – ou pode repercutir “cá para fora” - e, em boa verdade, sem noção de existência nas nossas cabeças, pelo menos, não conseguiríamos pensar nada.
Talvez as classes e subclasses acima mencionadas fossem “apenas” entes nocionais. Basta pensar na formulação lógica das descrições definidas com recurso à lógica de predicados. Talvez, também (tenhamos derivado), porque Suárez nos lança na questão de ente enquanto nome. Mas, e já, agora, pelas classes e subclasses “russellianas”, não seria isso, de um modo um pouco ríspido, algo que concebemos na nossa mente para pensar a “aptidão para existir”? Recordemos que, para Russell, as quantificações estão no âmbito das descrições definidas (que os nomes de objetos, com os quais não estamos em contacto, abreviam; uso não apropriado de nome, não lógico e próprio de nome) e, nessa medida, dão conta daquilo que há, enquanto universo de existência ao qual se referem possibilidades de existir – “para todo o x, x é C” ((∀x)(Cx)); “para todo o x, x não é C” ((∀x)(~Cx)); “existe pelo menos um x, tal que x é C” ((∃x)(Cx)).
Interpretações
atribui o essencialismo dos primeiros tempos da modernidade a Suárez (Salas (2022:90)
“o ser é reduzido à essência, que, por sua vez, é reduzida ao possível.”, sendo “o possível o que existe precisamente porque a sua noção não implica contradição” (1962 cit. por Ibidem),
Etienne
Gilson
Essência
Possível
Possível é o que existe porque a a sua noção não implica contradição
Interpretações
Doyle
Courtine
(2010 cit. por Salas, 2010 cit. por Ibidem: 2022), defendendo que “o conceito de ente enquanto nome, que é o objeto da metafísica, é simplesmente a não-contradição”
(1990 cit. por Ibidem), que alega que aquilo que nos permite “falar de essência real na ausência de existência” é definida por Suárez em “termos negativos, nada mais do que a não-contradição”.
Ente real corresponde à noção de ente enquanto nome
pelo facto de este não excluir Deus do ente real e, desta forma, permitir que abarquemos quer entes que são, que não são, mas podem vir a ser.
Relações entre Suárez e Filosofia da Linguagem
Embrionárias.
Logicismo e ou realismo
O logicismo a lançar as bases do real ou o real visto - por defeito - pela lógica? (dicotomia ou uso?)
Mas logicismo (entes nocionais) para falar do real e não que seja o real)
Conclusões
Ente enquanto nome em
Suárez
Obrigada!
Márcia Augusto
Ontologia II
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Licenciatura em Filosofia, 3º
2023/2024